Sidi Bou Said: por trás do azul e branco, uma memória feita de música

Terraço de café em Sidi Bou Said, com guarda-corpos azuis e vista para o Golfo de Tunis.
Golfo de Tunis visto de um terraço de café em Sidi Bou Said, em 24 de abril de 2023. Crédito: سليم ابراهمي / Wikimedia Commons, 24 de abril de 2023 · CC0 1.0.Toque ou clique na imagem para ampliar em nova aba.

O que uma gravação antiga pode acrescentar a uma paisagem famosa por suas cores? Em Sidi Bou Said, na Tunísia, a curiosidade leva ao palácio Ennejma Ezzahra. Por trás da imagem das fachadas azuis e brancas existe um trabalho de preservação que também se ocupa de instrumentos, vozes e formas de fazer música.

É uma maneira de conhecer o povoado para além do enquadramento panorâmico. A encosta, as casas e o mar continuam presentes, mas passam a dividir a atenção com outra pergunta: como guardar uma expressão cultural que acontece no tempo e desaparece quando o som termina?

Uma casa que se tornou lugar de pesquisa

Ennejma Ezzahra foi construído por iniciativa de Rodolphe d’Erlanger nas primeiras décadas do século XX. A história apresentada pelo próprio centro destaca a participação de artesãos no trabalho com mármore, estuque e madeira. A casa também se adapta ao terreno inclinado, articulando volumes, terraços e jardim.

Hoje, o conjunto abriga o Centro das Músicas Árabes e Mediterrâneas, conhecido pela sigla CMAM. A instituição aproxima conservação do edifício, coleções e pesquisa musical. Essa combinação permite perceber patrimônio como algo que envolve tanto objetos e construções quanto práticas, conhecimentos e registros.

O que os instrumentos contam em Sidi Bou Said

A apresentação da coleção de instrumentos descreve salas dedicadas a Ahmed el-Wafi e Manoubi Snoussi, dois nomes ligados à história musical tunisiana e ao trabalho de d’Erlanger. A exposição reúne instrumentos usados no país, além de peças da coleção pessoal do antigo proprietário.

Para começar a observar, procure a parte que produz o som. Há instrumentos de cordas, de sopro e de percussão; materiais, formatos e modos de tocar oferecem caminhos diferentes para entendê-los. Em vez de procurar apenas uma peça curiosa, vale relacionar o objeto às pessoas que o constroem, aos músicos e às ocasiões em que ele participa da vida coletiva.

Uma vitrine preserva a forma de um instrumento. Uma gravação acrescenta ritmo, timbre, voz e interpretação. São documentos complementares: nenhum deles, sozinho, contém toda a história de uma tradição musical.

Preservar sons exige mais que guardar discos

A Fonoteca Nacional integra o CMAM desde a década de 1990. Conforme a instituição explica sobre seu acervo sonoro, suas atividades incluem recolher, catalogar, conservar e restaurar registros. Discos, fitas e gravações de campo fazem parte desse universo.

Esse trabalho ajuda a compreender por que identificar uma gravação é tão importante quanto mantê-la reproduzível. Saber quem toca, onde e em qual contexto permite ouvir com mais informação. A consulta ao arquivo tem condições próprias e não equivale à entrada comum em um museu.

Antes de viajar, confira quais espaços podem ser visitados e se existe programação compatível com sua data. Conhecer o palácio, consultar uma coleção e assistir a um concerto são experiências diferentes. Nenhuma deve ser presumida a partir de uma fotografia ou do nome da instituição.

Leve essa curiosidade à viagem

O programa Tunísia e Turquia — Impérios Antigos e Paisagens Extraordinárias inclui passagem por Sidi Bou Said. A visita ao CMAM e concertos não constam entre as inclusões descritas. Se esse interesse faz parte da sua viagem, converse com a Memphis para avaliar possibilidades, tempo e custos, sem pressupor ingresso ou acesso ao arquivo.

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